Morgado de Fafe
O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
John Negreiro Guedes: empreendedorismo e benemerência da diáspora luso-americana ao serviço da terra natal
Uma das marcas distintivas das comunidades portuguesas na diáspora é o seu forte espírito empreendedor, patente nas trajetórias de numerosos compatriotas que alcançaram sucesso empresarial e relevância cívica. Entre esses exemplos, destaca-se o percurso inspirador de John Negreiro Guedes, empreendedor e benemérito de referência da comunidade luso-americana.
Natural de Vilas Boas, no concelho de Chaves, João Negreiro Guedes emigrou para os Estados Unidos da América no início da década de 1960, com apenas 10 anos, num contexto marcado pelas dificuldades socioeconómicas do interior transmontano durante o Estado Novo. Formado em Arquitetura no Norwalk State College, no Connecticut, fundou no final da década de 1970 a Primrose Companies, empresa de arquitetura e construção sediada em Bridgeport, especializada em projetos comerciais, multiresidenciais e médicos no Connecticut e em Nova Iorque.
Com mais de 40 anos de atividade no setor, o arquiteto luso-americano assinou numerosos projetos de referência, entre os quais se destacam o The Birmingham Apartments, em Shelton, o Federal Arms Apartments, em Bridgeport, o Twin Brooks Village Homes, em Trumbull, o Post Road Professional Center, em Westport, ou o Easton Community Center, em Easton.
O sucesso alcançado nos Estados Unidos tem sido acompanhado por um apoio contínuo à sua região de origem, à qual John Negreiro Guedes, como é conhecido na América, permanece profundamente ligado por um consistente espírito benemérito. Na aldeia natal, onde regressa com regularidade, financiou diversas iniciativas de caráter desportivo, cultural e recreativo, incluindo a aquisição do terreno para o campo de futebol e a construção da sede da associação cultural.
Este compromisso solidário estende-se a outras instituições do concelho de Chaves, com particular destaque para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago, que tem encontrado em John Negreiro Guedes um apoio determinante ao longo dos anos.
Entre os vários contributos de relevo em prol desta corporação, cuja área de intervenção abrange sete freguesias a sul do concelho de Chaves, no distrito de Vila Real, destaca-se a doação, em 2007, de um monitor de sinais vitais. No ano seguinte, ofereceu uma Ambulância de Socorro totalmente equipada, no valor de cerca de 60 mil euros. Em 2017, concedeu um donativo que permitiu equipar todo o corpo ativo com farda n.º 2 e, no início de 2023, possibilitou a aquisição de uma viatura de comando e de duas viaturas destinadas ao transporte de doentes não urgentes.
Mais recentemente, durante a última quadra natalícia, o emigrante luso-americano voltou a assumir um papel decisivo ao contribuir de forma substancial para a aquisição de uma nova Ambulância de Socorro (ABSC) para os Bombeiros Voluntários de Vidago. Este meio revelou-se essencial para o reforço da capacidade de resposta da corporação numa área de atuação com cerca de 100,27 km² e aproximadamente 5.300 habitantes, caracterizada por uma forte predominância florestal, mas também por uma crescente presença de estruturas comerciais e industriais, bem como por uma densa rede viária, onde se incluem a A24, a EN2 e várias estradas nacionais e municipais. A nova viatura permite, assim, uma intervenção mais célere, eficaz e tecnicamente apetrechada em situações de emergência.
Não por acaso, em reconhecimento do valioso contributo prestado à causa dos bombeiros, a Liga dos Bombeiros Portugueses distinguiu John Negreiro Guedes com o Crachá de Ouro, uma das mais elevadas distinções honoríficas da instituição, destinada a galardoar atos e serviços de inequívoca relevância para a dignificação da causa bombeira. A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago atribuiu-lhe igualmente a Medalha de Prata da corporação e erigiu um busto em sua homenagem no quartel dos “Soldados da Paz”, descerrado em 2022.
O percurso de John Negreiro Guedes constitui um exemplo paradigmático do papel insubstituível que a diáspora portuguesa — em particular a comunidade luso-americana — desempenha na solidariedade social, na coesão territorial e na projeção de Portugal no mundo. Ao conjugar sucesso empresarial com um profundo sentido de responsabilidade cívica e de ligação às raízes, estes emigrantes afirmam-se como verdadeiros embaixadores do país, reforçando laços afetivos, apoiando causas estruturantes e contribuindo, de forma concreta, para o desenvolvimento das suas terras de origem e para a valorização internacional de Portugal.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Liga dos Bombeiros Portugueses homenageia Manuel Carvalho, benemérito da diáspora luso-americana
Um dos pilares fundamentais da proteção civil em Portugal, os bombeiros desempenham um serviço essencial em múltiplas frentes: socorro em acidentes rodoviários, combate a incêndios, resposta a desastres naturais e industriais, emergência pré-hospitalar e transporte de doentes, abastecimento de água às populações, salvamento de náufragos, bem como ações de prevenção, formação e sensibilização junto das comunidades.
Exemplos maiores de altruísmo e cidadania, nem sempre reconhecidos com a justiça devida pelos poderes públicos, as corporações de bombeiros em Portugal enfrentam, de forma recorrente, sérias dificuldades estruturais, resultantes da crónica escassez de meios financeiros, que em muitos casos condiciona a prestação de serviços essenciais às populações.
Ao longo dos últimos anos, parte desses constrangimentos — frequentemente agravados por contextos de crise económica — tem sido mitigada graças à generosidade de emigrantes portugueses que, um pouco por todo o território nacional, se constituem como um apoio vital ao funcionamento das corporações e à prossecução da sua missão humanitária.
Um exemplo paradigmático dessa solidariedade encontra-se na figura do emigrante luso-americano Manuel Carvalho, natural de Tamengos, no concelho de Anadia. Empresário de referência na área da restauração em Mineola, localidade situada a cerca de 30 quilómetros de Nova Iorque, onde aproximadamente 15% dos cerca de 21 mil habitantes são de origem portuguesa, Manuel Carvalho tem vindo, ao longo de várias décadas, a dinamizar um conjunto significativo de iniciativas de apoio aos Bombeiros Voluntários de Anadia, associação humanitária fundada em 1933.
A sua notável filantropia tem permitido encontrar soluções concretas para apetrechar esta corporação do coração da Bairrada. Entre as várias ações desenvolvidas, destaca-se a iniciativa promovida após ter tomado conhecimento das dificuldades financeiras vividas pelos bombeiros da sua terra natal, no verão de 2016. Esse contexto levou-o a organizar, no início do ano seguinte, um evento solidário de grande impacto. O jantar, realizado na Churrasqueira Bairrada, estabelecimento de que é proprietário - uma referência no seio da comunidade nova-iorquina- mobilizou a comunidade luso-americana de Mineola e permitiu angariar cerca de 25 mil euros, verba entregue à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia, destinada a apoiar obras no quartel e a aquisição de uma viatura operacional.
Esta generosidade constante e desinteressada para com a corporação do seu torrão natal é acompanhada por um envolvimento igualmente ativo no apoio aos bombeiros do território de acolhimento e da terra de origem da sua esposa, Jackie Carvalho. Em reconhecimento desse percurso, Manuel Carvalho é Bombeiro Honorário em Mineola e recebeu, em 2023, a mais alta distinção honorária atribuída pelos Bombeiros da República do Panamá.
Ainda no final desse ano, no âmbito das comemorações do 90.º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Anadia, foi entronizado como “Embaixador dos Bombeiros Voluntários de Anadia em Mineola”. Na mesma cerimónia, foi-lhe atribuído o título de sócio benemérito n.º 1365, bem como um Diploma de Reconhecimento da Associação Humanitária.
É neste quadro de mérito amplamente reconhecido que, no passado dia 10 de janeiro, Manuel Carvalho foi distinguido, no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Anadia, com a Medalha de Agradecimento da Liga dos Bombeiros Portugueses. Esta distinção, atribuída pela confederação que representa as associações e corpos de bombeiros voluntários e profissionais em Portugal, destina-se a galardoar pessoas singulares ou coletivas que pratiquem atos de especial relevância em prol da causa dos bombeiros portugueses, em território nacional ou em missões de apoio internacional.
Na cerimónia marcaram presença, entre outros responsáveis, o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, e o Presidente da Mesa dos Congressos da Liga, Luís António Vicente Gil Barreiros. Nos fundamentos da distinção, é sublinhado o contributo do «Benemérito Manuel Carvalho, Embaixador dos Bombeiros Voluntários de Anadia em Mineola, por atos de relevância ao serviço da Causa dos Bombeiros Portugueses».
Uma distinção que honra não apenas o percurso de Manuel Carvalho, mas também a melhor tradição solidária da diáspora portuguesa, que continua a fazer do compromisso cívico e da gratidão às raízes uma marca identitária incontornável.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Manuel Eduardo Vieira e a Ordem do Infante D. Henrique: um rosto maior da diáspora portuguesa na América
A comunidade portuguesa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença se consolidou entre o primeiro quartel do século XIX e o último quartel do século XX — período em que se estima terem emigrado cerca de meio milhão de portugueses, maioritariamente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores — distingue-se hoje pela sua plena integração, pelo seu inegável espírito empreendedor e pelo relevante papel económico, social e até político que desempenha na principal potência mundial.
No seio desta numerosa comunidade lusa, que segundo os dados mais recentes dos censos norte-americanos integra mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, sobressaem múltiplos percursos de vida que corporizam o chamado American dream. Histórias de homens e mulheres que, partindo muitas vezes do nada, ascenderam social e profissionalmente graças ao trabalho árduo, ao mérito e a uma notável resiliência.
Entre essas trajetórias exemplares destaca-se, de forma particularmente inspiradora, o percurso do comendador Manuel Eduardo Vieira, hoje reconhecido como o maior produtor mundial de batata-doce biológica e uma das figuras mais marcantes da comunidade portuguesa na Califórnia.
Natural da Silveira, pequena localidade da ilha do Pico, no arquipélago dos Açores, Manuel Eduardo Vieira emigrou aos 17 anos, em 1962, num contexto marcado pelo início da Guerra do Ultramar. Antes de se fixar nos Estados Unidos, partiu para o Rio de Janeiro, ao encontro de um tio que o acolheu a pedido da mãe e lhe proporcionou a possibilidade de prosseguir estudos para além da 4.ª classe, concluída na terra natal, no seio de uma família humilde.
A permanência no Brasil, durante cerca de uma década, foi determinante: permitiu-lhe formação nas áreas da Contabilidade e da Gestão, experiência profissional em diversas empresas, o encontro com a futura esposa, Laurinda — também emigrante, natural de Chaves — e foi ainda o berço de nascimento dos seus três filhos.
A ida para os Estados Unidos ocorreria no início da década de 1970, quando os pais e o irmão Artur já se encontravam emigrados na Califórnia, trabalhando no Vale de São Joaquim, numa empresa agrícola do tio António Vieira Tomás. Foi nesse contexto que Manuel Eduardo Vieira teve o primeiro contacto direto com a atividade agrícola em solo norte-americano.
O esforço persistente e a recusa em desistir perante as adversidades — bem patentes no facto de estudar inglês à noite e trabalhar no campo durante o dia — moldaram um homem que construiu, a pulso, o seu percurso de sucesso. Um momento decisivo ocorreu em 1977, quando o tio lhe propôs a aquisição da empresa A.V. Thomas Produce, então dedicada à produção de batata-doce em cerca de 20 hectares, com uma única linha de tratamento e embalagem instalada num simples barracão, na cidade de Livingston.
Com engenho, visão estratégica e capacidade de inovação, o duplo emigrante açoriano relançou a empresa, adquirida por 145 mil dólares, introduzindo práticas pioneiras, como a certificação de produção biológica em 1988, ou, mais recentemente, a batata-doce em embalagem individual, pronta a ir ao micro-ondas. Paralelamente, expandiu a exploração agrícola, que hoje ultrapassa os 1200 hectares. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, esta realidade transformou a empresa na maior produtora mundial de batata-doce biológica, com um volume de negócios superior a 50 milhões de euros e cerca de mil trabalhadores nas épocas de colheita. Não é por acaso que, na década de 1990, a cadeia de supermercados Safeway lhe atribuiu uma placa de matrícula personalizada com a designação “King Yam” — o “Rei da Batata-Doce”.
Empresário de mérito reconhecido, Manuel Eduardo Vieira viu o seu percurso distinguido em 2013, ao vencer a primeira edição dos Best Leader Awards (BLA) EUA, na categoria Lifetime Achievement. Dois anos antes, o então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, já lhe havia atribuído a Comenda da Ordem do Mérito. Apesar do sucesso alcançado, mantém uma ligação profunda e afetiva à sua terra natal.
Em 2017, foi inaugurada, na praceta do Centro Social da Silveira, no concelho das Lajes do Pico, uma estátua em sua homenagem, sendo ele o principal benemérito da construção do Salão do Centro Social, Cultural e Recreativo. A obra simboliza a generosidade que tem estendido a inúmeras associações da ilha do Pico. O seu nome permanece gravado no coração dos conterrâneos, tanto na pátria de origem como na de acolhimento. O seu percurso de vida e a sua constante filantropia valeram-lhe já cerca de duas dezenas de distinções internacionais, nacionais, regionais e locais, entre as quais se destaca a 18.ª Chave de Ouro do Município das Lajes do Pico, atribuída ao longo de mais de 500 anos de história da vila apenas a personalidades de mérito extraordinário.
É neste quadro de mérito amplamente reconhecido que, no passado dia 6 de janeiro, Manuel Eduardo Vieira foi condecorado em Lisboa pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem do Infante D. Henrique, distinção destinada a reconhecer serviços relevantes prestados a Portugal, no país e no estrangeiro, bem como contributos para a projeção da cultura, da História e dos valores portugueses.
Na cerimónia realizada no Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República, o Chefe de Estado enalteceu o percurso profissional do condecorado e a sua ação filantrópica junto da comunidade luso-americana e de Portugal, destacando-o como uma figura maior da comunidade portuguesa na Califórnia e um símbolo inequívoco do dinamismo, da capacidade de liderança e da força afirmativa da diáspora portuguesa, que continua a projetar e a dignificar Portugal além-fronteiras através do exemplo, do trabalho e da generosidade.
sábado, 3 de janeiro de 2026
Natal Solidário da Fundação Nova Era leva amor e esperança a centenas de famílias, unindo Portugal, França e a Diáspora
A campanha solidária de Natal “Um Natal de Amor, um Presente de Esperança”, promovida anualmente pela Fundação Nova Era, voltou, no final de 2025, a afirmar-se como uma das mais relevantes iniciativas de solidariedade social no espaço luso-francês. A ação levou apoio material, dignidade e conforto humano a centenas de famílias em situação de vulnerabilidade, tanto em Portugal como em França, reforçando o papel da diáspora portuguesa como agente ativo de coesão e desenvolvimento social.
Sob a presidência do empresário e benemérito luso-francês Jean Pina, profundamente ligado às comunidades portuguesas no estrangeiro, a Fundação Nova Era voltou a mobilizar uma ampla rede de voluntários, parceiros institucionais e embaixadores locais, traduzindo o espírito natalício em respostas concretas às necessidades mais urgentes.
No âmbito desta edição da campanha, foram distribuídos mais de 1.000 cabazes solidários, compostos por bens alimentares e produtos essenciais. Parte dos donativos foi entregue diretamente às famílias, enquanto outra foi enviada em paletes para instituições sociais, permitindo uma distribuição mais estruturada, eficaz e equitativa.
Em Portugal, a iniciativa abrangeu várias regiões do país. Na Guarda, terra natal do empresário e benemérito luso-francês, a ação contou com a colaboração da Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação da Guarda, garantindo que a ajuda chegasse de forma célere e digna aos beneficiários. O envolvimento dos embaixadores locais, Luís Vendeiro e Beatriz Pissarra Vendeiro, revelou-se decisivo para o sucesso da campanha, com o apoio de Sónia Monteiro, colaboradora da Fundação Nova Era há vários anos, cuja dedicação foi amplamente reconhecida.
Em Longos, freguesia do concelho de Guimarães, a distribuição decorreu através da Casa da Criança, com o contributo do embaixador Miguel Neves, reforçando o compromisso da fundação com o apoio a crianças e famílias em contextos de maior fragilidade social. Também no Minho, mas já em Fafe, a parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação local permitiu o envio de cerca de 2.000 quilos de bens alimentares e produtos de limpeza, aumentando significativamente a capacidade de resposta social durante o período natalício.
A campanha teve igualmente um impacto expressivo junto das comunidades portuguesas em França, sublinhando a importância da diáspora no apoio solidário ao território de origem e às próprias comunidades emigrantes. Foram distribuídas várias centenas de cabazes em cidades como Lyon, Saint-Étienne, Grenoble, Castres, Paris e Yvelines, com especial destaque para Mimizan, onde o forte envolvimento local foi determinante para o êxito da iniciativa.
Paralelamente à ação solidária, a Fundação Nova Era anunciou uma reestruturação interna, com a nomeação de Marie Françoise Morgado, natural de Vide Entre Vinhas (Celorico da Beira), para o cargo de Vice-Presidente da instituição. Esta nomeação reconhece o seu trabalho exemplar e o contributo logístico decisivo, particularmente na coordenação das ações solidárias desenvolvidas em território francês. À qual se soma, a cooperação excecional do embaixador na região de Le Havre, Flipe Pereira, bem como da esposa e filha, Manuela e Salomé Pereira, assim como do responsável da empresa de transportes JB7, Joaquim Brandão e filha Rita Brandão.
A campanha “Um Natal de Amor, um Presente de Esperança” traduz, assim, o compromisso contínuo da Fundação Nova Era com os valores da solidariedade, união e responsabilidade social, demonstrando como a mobilização da diáspora portuguesa — em especial em França — continua a desempenhar um papel fundamental no apoio às comunidades, aquém e além-fronteiras, transformando gestos de partilha em verdadeiras oportunidades de esperança.
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
2026: Presidenciais, diáspora e um novo ciclo de valorização das comunidades portuguesas
À medida que nos aproximamos do final de 2025, período simbolicamente associado ao balanço, à renovação e à esperança num futuro melhor, impõe-se uma reflexão serena sobre os grandes desafios que se projetam para 2026. Um ano que todos desejamos marcado pelo cessar dos conflitos armados que continuam a ferir a Humanidade — com particular destaque para a guerra na Ucrânia —, bem como pela dissipação das incertezas que ainda pairam sobre a economia mundial.
Este contexto torna-se igualmente propício para perspetivar novas dinâmicas no relacionamento de Portugal com as comunidades portuguesas, as mais autênticas e duradouras embaixadas da pátria de Camões espalhadas pelos quatro cantos do mundo.
O início de 2026 ficará indelevelmente marcado pela Eleição do Presidente da República Portuguesa, um momento maior da vida democrática nacional. O Chefe de Estado, que nos termos da Constituição da República “representa a República Portuguesa”, “garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas” e assume a função de Comandante Supremo das Forças Armadas, deve igualmente afirmar-se como um referencial de proximidade, reconhecimento e valorização da diáspora portuguesa.
No confronto de ideias e visões que caracteriza o debate presidencial, é essencial que aquele a quem o povo português confiar a mais alta magistratura da Nação assuma um compromisso claro e consistente com os emigrantes e lusodescendentes. Tal compromisso deve traduzir-se numa ligação efetiva e contínua às comunidades, através de discursos mobilizadores, visitas oficiais, presença em celebrações emblemáticas e, sobretudo, numa defesa firme e consequente dos seus direitos e aspirações. Reconhecer a diáspora como parte integrante da identidade nacional implica sublinhar o seu contributo histórico, económico, cultural e simbólico, sem esquecer os desafios específicos que enfrenta no quotidiano.
Neste quadro, torna-se imperioso promover um amplo debate nacional, envolvendo a sociedade civil, as instituições políticas, os órgãos de soberania e os parceiros sociais, em torno da (re)valorização da participação cívica e política das comunidades portuguesas. Um dos eixos centrais dessa reflexão deverá incidir sobre a representação parlamentar da emigração. Os atuais quatro mandatos atribuídos aos dois círculos eleitorais da emigração — Europa e Fora da Europa — configuram uma manifesta sub-representação de mais de cinco milhões de portugueses espalhados pelo mundo, número que corresponde, sensivelmente, a metade da população residente no território nacional.
Este debate mais vasto deve também conduzir a uma renovada perceção dos emigrantes e lusodescendentes enquanto um ativo estratégico e identitário para Portugal. Mais do que nunca, impõe-se refletir sobre a criação de um Ministério das Comunidades Portuguesas, dotado de autonomia política, dignidade institucional e escala de intervenção adequadas. Tal estrutura permitiria uma execução mais eficaz e integrada das políticas dirigidas à diáspora, reforçando o papel das comunidades no desenvolvimento económico, na projeção internacional do país, no aprofundamento da democracia e na coesão nacional.
Paralelamente, é fundamental que este debate sustente a introdução plena e estruturada da História da Emigração Portuguesa nos currículos escolares. Uma abordagem que vá muito além das referências às remessas financeiras ou aos fluxos migratórios, reconhecendo a emigração como uma constante estrutural da história contemporânea portuguesa, e como um elemento essencial da sua memória coletiva e da dignificação de milhões de percursos de vida.
Nesse mesmo horizonte, ganha particular relevância a conceção de um Museu Nacional da História da Emigração Portuguesa, pensado como espaço de preservação da memória, de produção de conhecimento e de valorização cultural e turística da diáspora. Este projeto nacional deverá articular-se com a já existente e meritória rede museológica dedicada à emigração, onde se destacam, entre outros, o Museu das Migrações e das Comunidades, em Fafe; o Espaço Memória e Fronteira, em Melgaço; ou o Museu da Emigração Açoriana, na Ribeira Grande.
Importa ainda não olvidar os espaços museológicos criados por portugueses no estrangeiro ao longo das últimas décadas, testemunhos vivos da capacidade organizativa e da vontade de preservação identitária das comunidades. Exemplos disso são a Galeria dos Pioneiros Portugueses, em Toronto, no Canadá; o Museu Etnográfico Português, em Sydney, na Austrália; o Museu Histórico Português, em São José, na Califórnia; ou o Museu de Herança Madeirense, em New Bedford, nos Estados Unidos da América.
A Eleição Presidencial de 2026 constitui, assim, uma oportunidade decisiva para recentrar o debate público na relação entre Portugal e a diáspora. Um momento para afirmar, com clareza e visão estratégica, que o país não termina nas suas fronteiras geográficas, mas prolonga-se na memória, no trabalho, na cultura e no compromisso cívico de milhões de portugueses espalhados pelo mundo. O futuro da democracia portuguesa passa, também, por saber escutar, integrar e valorizar plenamente as suas comunidades.
A todos os compatriotas e às comunidades portuguesas, deixo votos de uma Quadra Natalícia vivida em união, com afeto e serenidade, e de um Ano Novo repleto de saúde, esperança e renovada confiança no futuro.
domingo, 14 de dezembro de 2025
Manuel Viegas: um fautor da portugalidade na Flórida
Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é indubitavelmente a sua dimensão empreendedora, como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico, político e associativo.
Nos vários exemplos de dirigentes associativos e fautores da cultura lusa na diáspora, cada vez mais percecionados como um ativo estratégico na promoção e reconhecimento do país, tem-se destacado, ao longo das últimas décadas, o percurso altruísta de Manuel Viegas em prol da portugalidade na Flórida, um estado situado no extremo sudeste dos Estados Unidos da América.
Natural da povoação de Parada de Gonta, município de Tondela, no distrito de Viseu, onde nasceu em 1944, Manuel Viegas emigrou para os Estados Unidos, no alvorecer dos anos 60, ao encontro da figura materna. A chegada do jovem tondelense ao estado de Nova Jérsia, marcou o início de um percurso de vida pautado pelo esforço hercúleo e dedicação incansável, “life marks” que Manny Viegas, como é conhecido na América, continua a cultivar em conjunto com os valores da amizade e da família.
Com uma carreira profissional sólida e feita de consistência, que iniciou ainda na adolescência na construção civil, Manuel Viegas tem como principais referências socioprofissionais as funções desempenhadas entre 1961 e 1976 na “Garden City”, durante mais de 25 anos na “Jomar Displays Inc.”, e até 2003 na “Boxer Displays”, empresas onde progrediu constantemente até chegar a encarregado geral.
Concomitantemente, o emigrante tondelense estabeleceu um forte comprometimento com a comunidade portuguesa em Nova Jérsia, onde se concentra uma das mais conhecidas e numerosas comunidades luso-americanas. Como revela o notável trabalho associativo em relevantes instituições luso-americanas a favor da dinamização e preservação da cultura portuguesa. Assim testemunha o seu envolvimento comunitário, no Portuguese Heritage Group of Perth Amboy, no Portuguese Sporting Club of Perth Amboy, no Heritage Festival Ball Inc., na Federação das Associações de New Jersey, no Sport Club Português ou na Casa de Tondela em Newark, à frente da qual, foi o grande mentor da construção no concelho beirão da construção de um “Monumento ao Emigrante”.
Nesse sentido, e com o intuito de perpetuar o valor dos emigrantes de Tondela, a edilidade beirã criou, em 1994, o largo do Monumento ao Emigrante, composto por uma estátua de Joaquim Machado e três espirais helicoidais de Luz Correia. A iniciativa teve o contributo da comunidade tondelense em Nova Jérsia, que esteve representada na inauguração pelo então Presidente da Casa de Tondela em Newark, Manuel Viegas. Na memória descritiva do monumento refere-se: “O emigrante vai nu, ou seja, despido de tudo quanto é material, de artificialismos e preconceitos”.
Quando atingiu a idade da reforma, o emigrante e dirigente associativo mudou-se, em 2005, para a Flórida, estado norte-americano onde vivem atualmente mais de 75 mil emigrantes portugueses e lusodescendentes. Também aqui, ao longo das últimas décadas, Manny Viegas tem realizado um importante trabalho em defesa da portugalidade, como evidencia o facto, por exemplo, de ter sido eleito em 2015, e reeleito em 2024, Conselheiro das Comunidades Portuguesas. Assim como, as suas conhecidas ligações ao Portuguese American Cultural Center of Palm Coast, à associação Os Beirões de Palm Coast e aos Sportinguistas de Palm Coast.
Não por acaso, o laborioso dirigente associativo da diáspora e hodierno Conselheiro das Comunidades Portuguesas pela Flórida, tem recebido diversas homenagens e distinções, e diplomas mérito e beneficência, entre as quais se incluem, as Chaves da Cidade de Perth Amboy. A Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, Grau Ouro, uma distinção atribuída pelo Governo Português, através do Secretário de Estado das Comunidades, a individualidades que se destacam no apoio e representação da diáspora portuguesa no estrangeiro, reconhecendo o seu trabalho e dedicação. E, a Comenda Oficial da Ordem de Mérito, uma das Ordens Honoríficas Portuguesas, que distingue atos ou serviços meritórios de abnegação em prol da coletividade, seja em funções públicas ou privadas.
Uma das figuras mais consideradas e respeitadas da comunidade portuguesa na Flórida, o esforço e dedicação desprendida de Manuel Viegas, genuíno fautor da portugalidade que não olvida as suas raízes, presentemente o confrade da Confraria de Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco”, está empenhado na criação de uma confraria irmã neste estado norte-americano, inspira-nos a máxima do filósofo romano Séneca: “O esforço chama sempre pelos melhores”.
domingo, 7 de dezembro de 2025
A inspiração solidária e universalista da Fundação Família Carvalho
Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é seguramente a sua dimensão solidária, uma genuína marca genética da diáspora lusa, constantemente expressa em gestos, campanhas e iniciativas fautoras de valores humanistas.
Dentro da inspiração solidária que resplandece no seio da dispersa geografia das comunidades portuguesas, destaca-se ao longo das últimas décadas, a criação e dinamização de fundações assentes nos princípios da filantropia, instituídas por iniciativa de emigrantes de sucesso com o propósito de dar expressão organizada ao dever moral de justiça, e de solidariedade nas pátrias de acolhimento e de origem.
Uma das latitudes paradigmáticas da diáspora onde avultam os exemplos de fundações, instituídas por emigrantes portugueses, que desempenham um papel fundamental no cenário filantrópico, é indubitavelmente os Estados Unidos da América (EUA).
A cultura altruísta, profundamente enraizada na nação mais influente do mundo, onde o impacto social do investimento benemérito feito por empresas e entidades é reconhecido na sociedade, tem ao longo das últimas décadas inspirado vários emigrantes luso-americanos a instituir fundações sem fins lucrativos, dedicadas à beneficência, à cultura, ao ensino e a outros fins de interesse público.
No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, tem-se destacado nos últimos o papel notável da Fundação Família Carvalho, em Mineola, uma vila nova-iorquina que alberga uma população de 20 mil habitantes, entre eles, cerca de 20% portugueses e lusodescendentes.
Instituída em 2017, pelo emigrante anadiense Manuel Carvalho, conhecido empresário na área da restauração em Mineola, em conjunto com a sua esposa Jackie Carvalho, natural do Panamá, a instituição filantrópica tem dinamizado um conjunto significativo de atividades e apoios nas áreas sociais, culturais e educativas. Desde logo, o espírito bairrista e benemérito do empresário luso-americano tem possibilitado, através da Fundação Família Carvalho, apetrechar ao longo dos anos, os Bombeiros Voluntários de Anadia.
Têm sido inúmeros os eventos, que o empresário luso-americano tem organizado no seu icónico restaurante Bairrada, unanimemente considerado um dos melhores restaurantes portugueses na ilha situada no sudeste do estado de Nova Iorque, em prol dos Bombeiros Voluntários de Anadia. Assim como, os contributos que a Fundação Família Carvalho, têm dado em prol da promoção e preservação da língua, costumes e tradições portuguesas em Long Island.
Ainda no decurso deste ano, a Fundação Família Carvalho, no âmbito da sua 15.ª edição do Torneio de Golfe, uma iniciativa, cuja dimensão eminentemente solidária aglutinou uma vez mais a comunidade luso-americana, distribuiu 30 mil dólares pelo “Mineola Junior Fire Department”, o “Mineola Volunteer Ambulance Corps” e o Centro de Bem Estar Social da Freguesia de Tamengos, estabelecido na localidade de onde é natural o benemérito empresário luso-americano, e que tem como missão promover o bem-estar de crianças e idosos do território anadiense.
Esta centelha solidária da Fundação Família Carvalho, tem-se alargado igualmente ao longo dos últimos anos ao Panamá, país no istmo que liga a América Central e a América do Sul, e de onde é natural Jackie Carvalho. O grande suporte e companheira de vida do benemérito empresário luso-americano, tem carrilado para a sua pátria de origem um conjunto significativo de apoios, entre muitos outros, aos Bombeiros da República do Panamá; às vítimas de inundações neste território localizado na América Central, e inclusive às vítimas dos terramotos recentes do Equador, nação situada na costa oeste da América do Sul.
Não por acaso, o benemérito empresário luso-americano e a esposa desfilaram no passado dia 27 de novembro, na 99.º parada anual do Dia de Graças da Macy’s, em Nova Iorque, naquela que é conhecida como a maior loja do mundo. E cujo tradicional desfile, é um dos eventos mais esperados do ano nos Estados Unidos, atraindo uma multidão de moradores e turistas para assistir nas ruas à parada dos balões gigantes com personagens de desenhos animados, carros alegóricos, apresentações de celebridades e muita música, que este ano foi também abrilhantada pela “Banda de Música La Primavera”, do Panamá. A primeira banda escolar da América Central, a participar, graças ao espírito filantrópico da Fundação Família Carvalho, no maior desfile do Dia de Ação de Graças dos Estados Unidos, e que representaram o seu país com grande entusiasmo e talento, num evento que proporcionou orgulho nacional e destaque para a cultura panamiana na icónica metrópole de Nova Iorque.
O notável exemplo benemérito do casal Manuel e Jackie Carvalho, rostos visíveis da missão, visão e valores da Fundação Família Carvalho, inspira-nos a máxima de Madre Teresa de Calcutá: “Nem todos nós podemos fazer coisas grandiosas. Mas todos podemos fazer pequenas coisas com muito amor”.
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